domingo, 12 de fevereiro de 2023

Linha do Tempo do Corpus Hermeticum

 O Hermetismo é um conjunto de ensinamento religiosos, místicos e filosóficos que busca inspiração na figura mítica de Hermes Trismegisto (Hermes “Três Vezes Muito Grande”).

Hermetismo Tradicional

O Hermetismo surgiu em Alexandria (Egito), no período Helenístico (séculos 1 a 3 DC), um período onde havia grande troca de conhecimento entre povos de diferentes origens. Os pesquisares consideram o Hermetismo como uma Teologia, que mistura a religiosidade Egípcia com fortes influencias da filosofia Grega.

Segundo o Hermetismo Tradicional, o Homem possui uma natureza dual, composta pelo Nous (nossa parte mais Divina e Eterna) e um corpo físico, que está sujeito a influências do mundo sensível e dos Astros. O Homem deve trabalhar seus Vícios e fortalecer suas Virtudes, de acordo com a influência dos 7 Regentes. O Propósito da Vida, segundo o CH, é o Conhecimento de Deus (Gnose)

A descoberta dos manuscritos

Restaram poucos textos originais do Hermetismo. Quatorze deles foram agrupados no Corpus Hermeticum, no século XI, pelo filósofo e historiador Miguel Pselo e por volta do século XV esse corpus foi descoberto pelo monge italiano Leonardo da Pistoia, durante sua estadia na cidade grega da Macedônia em 1459, para onde foi a mando de Cosme de Médici a fim de coletar manuscritos antigos em grego e latim.

Cosme de Medici havia então fundado a Academia Platônica de Florença, junto com os filósofos Marcílio Ficino e Cristoforo Landino. Ao receber os manuscritos do Corpus Hermeticum, Cosme desejou ler os tratados antes de usa morte e, dessa forma, pediu que Marsílio Ficino fizesse sua tradução.

Na época, o CH foi considerado como a “principal fonte de uma teologia não-cristã, uma das últimas fontes da filosofia perene, de qual toda a sabedoria não judaico-cristã provinha. Em parte foi recebido com grande interesse, mas em outra foi visto como uma ameaça e competição para a religião cristã.

Contudo, em 1614, o pesquisador Isaac Causabon publicou uma análise textual que demonstava que o CH não era tão antigo quanto acreditava-se. No século XX o padre Festugiére dedicou sua vida para desvalorizar o conteudo do CH.

Foi apena a partir de 1945, com com os achados da biblioteca de Nag Hammadi pode ser desmentido e desde então seu conteúdo voltou a ser discutido em todo seu potencial e origens.

Linha do Tempo do Corpus Hermeticum

  • Séculos I a III DC – Os textos do Corpus Hermeticum são escritos por egípcios instruídos na cultura e filosofia Grega.
  • Século XI – Quatorze desses tratados forma reunidos em Constantinopla, pelo filósofo neoplatônico, teólogo e Historiador bizantino Miguel Pselo
  • 1459 – O CH foi encontrado na Macedônia por Leonardo de Pistoia. A mando de Cosmo de Médici, Marcílio Ficino faz a tradução para o latim, que terminando em abril de 1463. Pouco mais de três meses depois, a tradução para o italiano ficou pronta, pelo amigo de Ficino, o filósofo Tommaso Bensi.
  • 1471 – A tradução de Ficino para o latim foi publicada em Treviso, sem autorização. Outras publicações não autorizadas sucederam.
  • 1490 – O poeta, Filósofo e Hermetista Italiano Lodovico Lazzareli descobriu e traduziu para o latim um novo manuscrito grego do CH que continha mais três tratados em relação ao recebido por Cosme. Uma nova edição impressa com 17 tratados foi impressa em 1507, contendo no final o Asclépio ou Logo Teleios (Discurso Perfeito)
  • 1554 – O poeta e humanista Adrien Turnebe Francês realizou em Paris uma primeira edição impressa do Corpus Hermeticum completo em grego, que se apoiu em outros manuscriso do CH que continha 17 tratados, aos quais foram acrescentados três fragmentos conservados na antologia que Jean Estobeu coletou no século V.
  • 1574 – François Foix de Cancelle, bispo de Aile, seguiu a edição de Turnebe , depois de dos 14 tratados da edição de Ficino, colocou como tratado os CH XV o conjunto de fragmentos coletados por Estobeu e como tratados XVI, XVII e XVIII os outros três tratados encontrados no manuscrito utilizado por Turnebe, sendo que o que ele estabeleceu como tratado CHVII era apenas um fragmento de um outro tratado mais longo. Essa tradução foi publicada completa em 1579. As edições mais novas do CH retiraram os fragmentos recolhidos por Estobeu.
  • 1591 – O filósofo neoplatônico e humanista italiano Francesco Patrizi realizou uma nova edição italiana do CH em latim, com duas diferenças estruturais em relação as outras edições: 1) Não publicou os três novos tratados encontrados, mas apenas os 14 tratados publicados por Ficino; 2) Além do Asclépio, ele acrescentou em sua nova edição parte do tratado recolhido por Estobeu, chamado Kore Kosmou (Pupila do Mundo)
  • 1614 – Isaac Casaubon publica uma análise textual do CH, no qual ele demonstrava que pela gramática, vocabulário, formas e conteúdos da versão grega desses trabalhos, os textos não poderiam ser mais antigos do que o século II. Para Causabon, o CH é uma simples combinação do cristianismo com conceitos platônicos. No século XX O Padre André Jean Festugiére utiliza argumentos de Causabon e acrescenta outras alegações para depreciar o CH
  • 1945 – Entre os textos coptas encontrados na biblioteca de Nag Hammadi, três são escritos herméticos e Jean Pierre Mahé afirma que “Longe de ser uma palida imitação dos diálogos de Platão, como Festugiére e Causabon acreditavam, os ensinamentos do Trismegisto fazima parte de um gênero já existente na lingua egícia.

Referências:

Trismegisto, Hermes. Corpus Hermeticum. Tradução, edição, introdução e Notas Americo Sommerman. São Paulo: Polar, 2019

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